Vou pra Bett de novo essa semana. E já sei o que vou encontrar.

Antes da Bett Educar: o que a feira repete a cada ano, por que o problema costuma ser o critério (não o mercado) e três perguntas de dez minutos para levar no bolso.

Hoje começa a Bett Educar, a maior feira de educação e tecnologia da América Latina. Vou estar lá, como em anos anteriores, andando pelos corredores, conversando com fornecedores, ouvindo mantenedores e diretores que como você reservaram dois ou três dias da agenda pra entender o que tem de novo no mercado.

Mas vou ser honesto com você antes da feira começar: já sei mais ou menos o que vou encontrar. E acho que você também sabe.

Vou encontrar dezenas de estandes vendendo “transformação digital” sem um resultado prático de uso e de melhora depois de seis meses. Vou encontrar sistemas de gestão prometendo dashboard único que resolve tudo, vendidos pra escolas que ainda não conseguem fechar a conciliação financeira do mês. Vou encontrar IA aplicada a tudo, em painéis lotados, sem um único caso concreto de escola que tenha visto mudanças significativas na captação e/ou na retenção com aquilo. Vou encontrar plano de aula, sistema de ensino, plataforma de inglês, tudo embrulhado em palco bonito e palestrante carismático.

E não me entenda mal. Tem coisa boa na Bett. Tem gente séria, tem solução que funciona, tem conversa que vale a viagem. O problema não é a feira. O problema é como a maioria das escolas vai até ela.

Porque é isso que eu mais vejo, ano após ano: diretor que entra na feira sem objetivo, sai com quarenta cartões, marca cinco reuniões nas semanas seguintes, contrata duas soluções no impulso pós-evento, e em noventa dias abandona uma e tá brigando com a outra pra implementar. Aí no ano seguinte volta pra Bett procurando o que vai resolver o problema que a contratação anterior deveria ter resolvido.

Perceba que o problema não é o que o mercado oferece. É a falta de critério com que a gente vai consumir o que o mercado oferece.

Antes de você entrar: um exercício de dez minutos

Pega papel, ou abre uma nota no celular, e responde três perguntas antes de pegar o avião, o carro, o uber pro São Paulo Expo:

1. Qual é o único problema da minha escola que, se eu resolver nos próximos doze meses, muda o resultado do ciclo?

Não três. Um. Se você não consegue nomear, a feira não é o lugar. Você precisa antes de uma conversa interna sobre prioridade.

2. Qual o critério mínimo que uma solução precisa ter pra eu sequer agendar uma reunião pós-feira?

Pode ser caso de uso comprovado em escola do meu porte. Pode ser resultado prático depois de seis meses de implementação. Pode ser quem vai me acompanhar na implementação, e por quanto tempo. Defina antes, não depois de ouvir o pitch.

3. O que eu vou deixar de olhar?

Essa é a mais difícil. Se você entra numa feira aberto pra tudo, sai com tudo. Definir o que você não vai considerar essa semana é o que protege a sua agenda pelos próximos seis meses.


Faz isso antes de entrar. Leva no bolso. Quando o estande bonito te chamar e o discurso for sedutor, volta nas três respostas. Se não bate, agradece e segue.

A feira vai estar cheia de gente vendendo o peixe. E está tudo bem ela estar. O que muda o resultado é você chegar lá sabendo se precisa de peixe, de vara, ou de uma conversa séria sobre por que sua escola ainda não aprendeu a pescar.

Um abraço.