RECEITA DE 2027

Orçamento Escolar 2027: Como Montar a Receita a partir das Matrículas, do Reajuste e da Inadimplência

Orçamento que começa pelo custo já nasceu errado. Começa pela vaga, pela turma e pela família que renova.

A linha de receita seis partes
Alunos que renovamtaxa do ciclo anterior
+ alunos novosprevisão do funil
× mensalidade médiapor etapa
× reajustetabela de 2027
- descontos concedidospolítica de 2027
- inadimplência esperadahistórico de atraso
= receita previstapor turma e por mês

O orçamento escolar de 2027 é a receita que a escola espera receber, mês a mês, a partir de quantos alunos renovam, quantos entram, quanto cada um paga depois do reajuste, quanto a escola devolve em desconto e quanto não recebe no prazo. Custo vem depois, porque custo se ajusta à receita e não o contrário.

Esta página trata da receita orçada e do acompanhamento do previsto contra o realizado. A conta de quantas matrículas novas o funil vai fechar tem página própria: previsão de matrículas para 2027. O percentual de reajuste tem outra: reajuste de mensalidade escolar 2027. Aqui, os dois entram como números já decididos.

A linha de receita em seis partes

Cada parte tem uma fonte, um responsável e uma margem de erro própria. Misturá-las em um único "faturamento previsto" esconde exatamente o que a mantenedora precisa ver.

  1. Alunos que renovam Alunos de 2026 que continuam em 2027, por etapa e por turma. Parte da taxa de renovação observada no ciclo anterior, descontando quem conclui a última série da escola e sai naturalmente. É a linha mais previsível e a mais importante: em escola estabelecida, sustenta a maior parte da receita.
  2. Alunos novos Matrículas que o funil atual deve fechar até o início do ano, com as taxas de passagem da própria escola. Não é a meta. É a previsão, feita em previsão de matrículas para 2027, com cenário pessimista e otimista.
  3. Mensalidade média por etapa O valor médio efetivamente cobrado em 2026 em cada etapa, antes de desconto. Infantil, fundamental e médio têm tabelas diferentes, e uma média única da escola erra em todas as três.
  4. Reajuste O percentual definido para a tabela de 2027, aplicado sobre a mensalidade média de cada etapa. O cálculo e o comunicado têm páginas próprias. Aqui, o reajuste é um número decidido em setembro, não uma variável do orçamento.
  5. Descontos concedidos O que a escola devolve em pontualidade, antecipação, irmãos, indicação e negociação individual, como percentual da receita bruta. Escola sem política de descontos escrita não consegue orçar esta linha, porque ela é decidida no balcão.
  6. Inadimplência esperada O percentual da receita que não entra no prazo, com base no histórico de atraso da escola acima de 90 dias e no cenário econômico. É dedução de caixa, não de receita contábil, mas o orçamento que a ignora promete à mantenedora um dinheiro que não vai existir em março. A rotina de cobrança está em inadimplência escolar.

A conta, por turma e por etapa

A receita da escola é a soma da receita de cada turma. Fazer a conta no agregado esconde a turma que não fecha e o turno que não se paga.

Receita prevista da turma = (alunos que renovam + alunos novos, limitado pela capacidade) × mensalidade de 2027 × meses cobrados, menos descontos previstos, menos inadimplência esperada

Infantil, fundamental e médio têm ocupação, mensalidade e renovação diferentes. A educação infantil costuma ter entrada distribuída ao longo do ano e renovação alta até o fim da etapa. O fundamental é o mais estável. O ensino médio tem a maior mensalidade, a menor renovação natural, porque a última série sai inteira, e a decisão mais comparada entre escolas.

Por isso a conta se faz turma a turma. Uma turma com doze alunos previstos e capacidade para trinta é uma decisão de orçamento: abrir e absorver o custo, fechar e realocar, ou investir em captação para aquela turma específica. Essa decisão só aparece quando a receita está aberta por turma.

Alunos que renovam mais alunos novos nunca podem passar da capacidade da sala. Se a previsão do 6º ano dá 38 e a sala comporta 35, a receita daquela turma usa 35 e os três excedentes vão para lista ou para uma segunda turma, que é outra decisão de orçamento.

Cenário hipotético: uma escola com três etapas

Escola fictícia de 520 alunos em 2026, com infantil, fundamental e médio. Todos os números abaixo são inventados para mostrar o formato da conta e não representam média de mercado.

Linha da receita (anual, em reais)Fonte do dadoPessimistaBaseOtimistaResponsável
Alunos que renovam (3 etapas)Taxa de renovação de 2026, por etapa, menos concluintes411437452Secretaria e coordenação
Alunos novos (3 etapas)Previsão do funil em 30 de setembro80100115Captação
Total de alunos em 2027Soma, limitada pela capacidade de cada turma491537567Direção
Mensalidade média de 2027 por etapaTabela de 2026 com reajuste hipotético de 8%Infantil R$ 1.512, fundamental R$ 1.782, médio R$ 2.106 (12 parcelas)Financeiro
Receita bruta previstaAlunos por etapa × mensalidade × 12R$ 10,39 miR$ 11,37 miR$ 12,01 miFinanceiro
Descontos concedidosPercentual histórico ajustado pela política de 2027R$ 831 mil (8%)R$ 682 mil (6%)R$ 600 mil (5%)Direção e comercial
Inadimplência esperadaAtraso acima de 90 dias no histórico da escolaR$ 573 mil (6%)R$ 427 mil (4%)R$ 342 mil (3%)Financeiro
Receita prevista de 2027Bruta menos descontos menos inadimplênciaR$ 8,98 miR$ 10,26 miR$ 11,06 miDireção

Cenário hipotético. Pessimista usa renovação 5 pontos abaixo, matrícula nova 20% abaixo, descontos e inadimplência acima do histórico. Otimista usa 3 pontos acima na renovação e 15% acima na matrícula nova. Os percentuais de desconto e inadimplência são exemplos de formato, não referência para a sua escola. A diferença entre o pessimista e o otimista, aqui de cerca de R$ 2 milhões, é a informação que a mantenedora precisa ver antes de aprovar qualquer custo.

O que muda quando a previsão fica abaixo da meta

Existem quatro alavancas. Cada uma mexe em uma linha diferente da receita e tem custo, prazo e efeito colateral próprios.

Mexer em captação Aumenta a linha de alunos novos. É a alavanca mais visível e a mais lenta perto do fim do ciclo, porque o contato novo ainda percorre o funil inteiro. Retomar quem já visitou rende antes do que trazer gente nova. Efeito em 6 a 12 semanas; custo medido em custo de captação por matrícula
Mexer em preço Muda a mensalidade média ou o reajuste. Sobe a receita por aluno e pode derrubar renovação e matrícula nova se a escola já estiver acima do que o público que atrai consegue pagar. Nunca decidir sem a leitura de posicionamento. Efeito imediato na tabela; risco na renovação de novembro
Mexer em desconto Reduz a dedução de descontos ao apertar a política, ou aumenta a captação ao afrouxar. É a alavanca mais usada no balcão e a menos orçada. Sem teto por família e regra escrita, ela corrói a linha de preço sem aparecer em nenhum relatório. Efeito imediato; exige a política de descontos escrita antes
Mexer em turma Fecha a turma que não se paga, junta dois turnos ou abre uma segunda turma onde há lista. Muda a capacidade e o custo ao mesmo tempo. É a alavanca que só aparece quando o orçamento está aberto por turma. Decisão de outubro; efeito em todo o ano de 2027

O calendário da decisão

Quatro meses, quatro entregas. Cada uma depende da anterior e nenhuma pode esperar a seguinte.

SETEMBRO

Fecha a tabela

Mensalidade por etapa, reajuste e política de descontos definidos. Sem tabela, a linha de preço do orçamento é um chute e tudo o que vem depois herda o erro.

OUTUBRO

Fecha a previsão

Renovação estimada por turma, previsão de matrículas novas pelo funil e decisão sobre turmas que abrem, fecham ou juntam. É o mês em que a receita ganha número.

NOVEMBRO

Apresenta à mantenedora

Receita prevista em três cenários, por etapa, com premissas escritas. O custo é discutido em cima desse número, não antes dele. Aprovação registrada.

DEZ E JAN

Revisa com o realizado

Rematrícula fechada em dezembro e campanha fechada em janeiro substituem as previsões pelos números reais. A primeira revisão do orçamento sai antes do ano letivo começar.

O orçamento de receita é uma das entregas do planejamento estratégico da escola para 2027. A verba de marketing que sai dele tem conta própria em orçamento de marketing para escolas.

Como o orçamento vira acompanhamento

Orçamento aprovado em novembro e guardado na gaveta até o novembro seguinte não é orçamento, é formalidade. O que dá utilidade a ele é o previsto contra o realizado, todo mês, linha por linha.

A linha de alunos, renovados e novos, sai do CRM: quantas famílias renovaram, quantas entraram, em qual turma, com qual condição. A linha de recebimento sai do financeiro: quanto entrou, quanto atrasou, quanto foi devolvido em desconto. Os dois relatórios se encontram em uma tabela de uma página.

Quando a diferença entre previsto e realizado passa de um limite que a escola definiu antes, a decisão volta para a mesa: mais captação, ajuste de turma, revisão de política. A mesma lógica do relatório de captação de alunos, aplicada à receita inteira.

Perguntas frequentes

O que entra no orçamento de receita de uma escola?

Seis linhas: alunos que renovam, alunos novos, mensalidade média por etapa, reajuste aplicado, descontos concedidos e inadimplência esperada. As quatro primeiras formam a receita bruta prevista; as duas últimas são deduções que transformam a receita bruta na receita que de fato entra no caixa. Taxas de material, período integral e atividades extras entram em linhas separadas, porque têm renovação e inadimplência diferentes da mensalidade.

Como estimar as matrículas de 2027 para o orçamento?

Separe renovação de matrícula nova. A renovação parte da taxa observada no ciclo anterior, por etapa, descontando os concluintes que saem naturalmente. A matrícula nova parte do funil de captação que existe hoje, com as taxas de passagem da própria escola, e não da meta. A previsão de matrículas para 2027 detalha essa segunda conta. Some as duas por turma e limite o total pela capacidade real de cada sala.

Como tratar descontos e inadimplência no orçamento?

Como deduções explícitas, cada uma na sua linha, nunca escondidas na mensalidade média. Descontos entram pelo percentual histórico da receita bruta que a escola devolve em condições comerciais, ajustado pela política definida para 2027. Inadimplência entra pelo percentual histórico de recebimento em atraso acima de 90 dias, ajustado pelo cenário econômico. Nos dois casos, use o dado da própria escola e apresente pessimista, base e otimista.

Quando o orçamento de 2027 deve estar fechado?

A versão para a mantenedora costuma ser apresentada em novembro, depois que a tabela de 2027 foi definida em setembro e a previsão de matrículas foi consolidada em outubro. Dezembro e janeiro são de revisão com o realizado da rematrícula e da campanha. Orçamento fechado antes de setembro trabalha com tabela indefinida; fechado depois de novembro chega tarde para mudar decisão de turma, preço ou campanha.

A linha de matrículas do orçamento sai do funil, não de chute

Quando renovação, matrícula nova e condição concedida ficam registradas no mesmo lugar, o previsto contra realizado de cada mês leva minutos, não uma tarde de planilha.