O que os dados dizem sobre captação de alunos no Brasil
A maior pesquisa nacional sobre matrículas e marketing escolar, respondida por gestores de escolas privadas de todo o país. Edição 2026.
Por que este estudo existe
Pouco mais de 1 em cada 3 escolas cresceu no último ciclo. As outras duas ficaram paradas ou perderam alunos.
Esse número não me surpreende. O que me incomoda é a reação que ele provoca. Quando mostro esse dado para um gestor, a primeira resposta é quase sempre a mesma pergunta: “e isso é bom ou ruim?”
É uma pergunta honesta. E ela revela exatamente o problema que deu origem a este estudo. O gestor escolar toma decisões grandes o ano inteiro — quanto investir em marketing, quantas pessoas colocar na captação, quanto reajustar a mensalidade, quando abrir a campanha de matrículas. E toma todas elas sem um único parâmetro externo. Ele sabe o número da própria escola. O que ele não sabe é se aquele número é bom.
Em outros setores, isso não acontece. Um varejista sabe qual é a margem média do seu segmento. Uma indústria sabe qual é o giro normal do seu estoque. Na educação básica privada, um diretor que renova 85% dos alunos não tem como saber se está acima ou abaixo do mercado. Ele só descobre que estava abaixo quando a matrícula não fecha — e aí já é o ano seguinte.
O PNAE existe para preencher essa lacuna. Não é um estudo sobre tendências, nem um material de opinião. É uma régua. Centenas de escolas privadas de todo o país responderam as mesmas perguntas sobre como captam, como convertem, como retêm e quanto investem — para que cada uma delas possa se comparar com o setor em vez de se comparar consigo mesma no ano passado.
E eu adianto o que os dados mostraram: o que separa quem cresce de quem fica parado quase nunca é dinheiro. Não é o tamanho da escola, não é o valor da mensalidade, não é a região, não é o canal de aquisição. É um conjunto de rotinas que não custa nada e que a maioria das escolas não pratica. Você vai encontrar essa evidência repetida em praticamente todos os capítulos deste relatório.
Leia com a sua escola do lado. Anote onde você está acima do mercado e onde está abaixo. E leve isso para a próxima reunião de planejamento de matrículas — que é onde este material realmente serve para alguma coisa.
Boa leitura.
Metodologia
Pesquisa quantitativa aplicada por questionário online a gestores de escolas privadas de educação básica de todo o Brasil.
Perfil dos respondentes
Porte da escola
Mensalidade média
Região
Cargo de quem respondeu
Estados com maior participação
Segmentos atendidos
O ciclo de matrículas 2025–2026
Antes de discutir estrutura, canal ou verba de marketing, é preciso saber onde as escolas chegaram. Este capítulo mede o resultado do último ciclo, confronta esse resultado com as metas que as escolas tinham, mostra o papel decisivo da rematrícula e termina explicando por que as famílias saem.
Como foi o último ciclo de matrículas?
Pouco mais de 1 em cada 3 escolas cresceu. As outras duas ficaram paradas ou perderam alunos.
- 36,0% Cresceu
- 34,0% Ficou estável
- 30,0% Diminuiu
Este é o número que organiza todo o resto do relatório. Ele não descreve um setor em crise — descreve um setor parado. A maior fatia da amostra não perdeu alunos: ficou exatamente onde estava. E estabilidade, num mercado em que os custos sobem todo ano, é perda disfarçada.
O dado que merece atenção não é o de quem caiu, é o de quem ficou estável. Escola que perde aluno costuma reagir. Escola que fica estável costuma concluir que está tudo sob controle — e entra no ciclo seguinte com o mesmo processo que a manteve parada.
Antes de entender o que separa os dois grupos, vale olhar se o resultado muda conforme o tamanho e o preço da escola.
O resultado muda conforme o porte da escola?
A faixa de 301 a 600 alunos é a que mais cresce: 46,0%. Nos extremos, o desempenho cai.
Existe uma faixa de eficiência no meio da tabela. A escola de até 150 alunos raramente tem alguém dedicado à captação — quem atende a família é quem estava mais perto do telefone. Acima de 600, a estrutura existe, mas a decisão se distancia de quem conversa com a família.
A faixa de 301 a 600 alunos parece ser o ponto em que a escola já tem estrutura para organizar a captação e ainda tem proximidade suficiente para executá-la bem. É grande o bastante para profissionalizar e pequena o bastante para não emperrar.
E conforme a mensalidade?
Quanto mais baixo o ticket, menor a chance de crescer — de 30,7% até R$ 800 a 42,9% acima de R$ 3.000.
O que o dado mostra não é falta de demanda por mensalidades acessíveis. É margem para errar. Com ticket baixo, cada lead desperdiçado custa proporcionalmente mais. A escola de R$ 3.000 pode perder três famílias e compensar com uma. A de R$ 800 não pode.
Ou seja, é exatamente a escola com menos margem que precisaria da operação mais eficiente — e é justamente ela que costuma ter menos gente dedicada à captação. Ticket baixo não impede crescer. Ticket baixo não perdoa desorganização.
O resultado é o mesmo em todo o Brasil?
Sudeste e Centro-Oeste lideram, com cerca de 4 em cada 10 escolas crescendo. Sul e Norte ficam abaixo da média nacional.
Entre os estados com participação mais expressiva, Minas Gerais aparece à frente, com 46,8% das escolas crescendo, contra 38,2% em São Paulo e 30,6% no Rio de Janeiro.
É tentador transformar isso em ranking de estados. Não é o que o dado permite. O que ele mostra é que a diferença entre regiões é menor do que a diferença entre escolas organizadas e desorganizadas dentro de uma mesma região — como os próximos capítulos deixam claro.
As escolas bateram a meta de matrículas novas?
Só 22,4% bateram a meta integralmente. E quase 1 em cada 4 entrou no ciclo sem meta formal nenhuma.
O cruzamento com o resultado do ciclo é o mais forte de todo o capítulo: entre quem bateu a meta, 74,3% cresceram; entre quem não bateu, apenas 6,2%.
Mas o detalhe mais revelador está no primeiro grupo. Se bater a meta de matrículas novas garantisse crescer, esse número seria 100%. É 74,3%. Uma em cada quatro escolas bateu a meta de captação e mesmo assim não cresceu — porque a evasão comeu tudo o que a captação trouxe.
E há o grupo que sequer tinha meta: 24,4% da amostra. Desses, 25,0% cresceram — praticamente o mesmo desempenho de quem tinha meta e não bateu. Sem meta, o resultado do ciclo vira sorte.
Se meta sozinha não explica, o que explica é a rotina de acompanhá-la.
Ter meta é suficiente? Ou é preciso acompanhá-la?
Meta acompanhada com frequência: 54,9% cresceram. Meta que existe mas é pouco acompanhada: 30,9%.
Aqui está a resposta. Escolas que apenas têm meta, mas acompanham pouco, performam quase igual às que não têm meta nenhuma — 30,9% contra 25,0%. A diferença real aparece quando a meta é acompanhada com frequência.
Meta não é um número definido em janeiro. É uma conversa que acontece toda semana. Quem trata meta como documento tem o mesmo resultado de quem não tem documento algum.
Qual é a taxa de rematrícula das escolas brasileiras?
Quase metade das escolas renova acima de 90%. E 10,8% simplesmente não medem.
A rematrícula é o indicador que mais explica o resultado do ciclo — mais do que canal, mais do que verba de marketing, mais do que porte.
A rematrícula muda o resultado do ciclo?
Acima de 90% de renovação, 50,3% das escolas cresceram e só 6,3% perderam alunos. Abaixo de 85%, o quadro se inverte.
Existe uma linha de corte clara nos 90%. Acima dela, crescer é o cenário mais provável e encolher é raro. Abaixo de 85%, apenas 26,2% cresceram e 34,4% perderam alunos.
A conta é simples e desconfortável. Uma escola de 400 alunos que renova 85% perde 60 alunos por ano só na virada. Para crescer, precisa captar 60 famílias antes de conquistar a primeira aluna nova de verdade. A campanha de captação inteira é gasta repondo o que já era da casa.
E há o grupo que não mede, do qual só 22,7% cresceram. Não medir a rematrícula tem quase o mesmo efeito prático de ter uma rematrícula ruim — porque quem não mede não age a tempo.
Se a evasão pesa tanto, vale entender por que as famílias saem.
Por que as famílias saem?
Financeiro segue no topo, com 42,1%. Mas a comparação com a concorrência praticamente dobrou entre as duas edições da pesquisa.
O movimento mais forte não é o financeiro — é a concorrência, que saltou de 13,4% para 26,4%. As famílias não estão apenas saindo por não conseguir pagar. Estão saindo porque encontraram outra escola que consideraram melhor pelo mesmo preço.
Essa é uma mudança na natureza do problema. Perda por preço se combate com política comercial e negociação. Perda por comparação se combate com clareza de proposta e experiência da família — e exige uma resposta muito mais lenta de construir.
Vale registrar ainda que 11,3% das escolas responderam que não acompanham por que as famílias saem. Elas estão perdendo alunos sem saber o motivo, o que torna qualquer plano de retenção um chute.
Resumo do capítulo
- O setor está parado, não em crise. Pouco mais de um terço cresceu, mas a maior fatia ficou estável. Num mercado de custos crescentes, estabilidade é perda disfarçada.
- Bater meta de captação não garante crescer. Uma em cada quatro escolas bateu a meta de matrículas novas e mesmo assim encolheu — a evasão consumiu o ganho.
- Meta só funciona quando é acompanhada. Meta pouco acompanhada tem quase o mesmo resultado de não ter meta nenhuma.
- 90% de rematrícula é a linha divisória. Acima dela, crescer é o cenário provável. Abaixo de 85%, a captação inteira é gasta repondo quem saiu.
- A concorrência dobrou como motivo de saída. O problema deixou de ser só preço e passou a ser comparação — o que exige resposta de proposta, não de desconto.
Estrutura e maturidade da captação
Quem é responsável pela captação, o que essa pessoa tem na mão para trabalhar e quais rotinas realmente separam as escolas que crescem. É o capítulo mais acionável do relatório.
Quem puxa a captação no dia a dia?
Pouco mais de 4 em cada 10 escolas têm alguém dedicado à captação. Na maioria, a tarefa está acumulada com a direção, com a secretaria ou não tem responsável nenhum.
Captação acumulada não é captação — é o que sobra depois que o dia acabou. A diretora que responde a família interessada às onze da noite não está fazendo um trabalho ruim; está fazendo um trabalho impossível, porque ele concorre com a folha de pagamento, o conselho de classe e o pai na porta da sala.
O dado importante aqui não é quantas pessoas a escola tem. É se alguém acorda de manhã com a captação como a responsabilidade, e não como mais uma.
Ter equipe dedicada muda o resultado?
Com 4 ou mais pessoas dedicadas, 62,5% cresceram. Sem ninguém específico, 28,6%.
A diferença é de mais de trinta pontos entre o topo e a base. Mas atenção ao meio da tabela: uma pessoa dedicada sozinha performa abaixo de secretaria acumulando. Colocar uma pessoa no cargo e não dar processo, meta e acompanhamento não resolve — só transfere o problema de lugar.
Estrutura não é headcount. É quem responde pelo número no fim do mês.
E o que essa equipe precisa ter na mão para funcionar? A resposta está nas quatro rotinas a seguir.
Quantas escolas têm calendário de captação?
Um terço tem calendário bem definido, com ações mês a mês. O restante improvisa ou tem só um esboço.
E o calendário separa águas: 52,5% das escolas com planejamento mês a mês cresceram, contra 20,5% das que não têm nenhum.
Repare também no grupo que tentou e não conseguiu manter. Ele existe e não é pequeno. Calendário de captação não falha por falta de vontade — falha porque é escrito em dezembro para o ano inteiro e ninguém volta nele em março.
E follow-up: as escolas correm atrás de quem esfriou?
Quem tem rotina clara de follow-up cresce mais que o dobro de quem não faz.
Follow-up é o item mais barato desta lista inteira. Não exige verba, ferramenta nova nem contratação. Exige alguém lembrar de voltar na família que pediu informação e sumiu.
É também o mais negligenciado, porque não aparece em relatório nenhum. Ninguém percebe o lead que não recebeu a segunda mensagem.
Existe reunião semanal de captação?
Reunião toda semana: 48,5% cresceram. Sem reunião: 26,6%.
A reunião semanal é o mecanismo que transforma meta em ação. É onde alguém pergunta quantas famílias entraram, quantas visitaram e o que aconteceu com as que sumiram — e onde a resposta precisa existir.
Sem esse ritual, a meta só é revisitada quando o ano já acabou e não dá mais para corrigir nada.
Cada uma dessas rotinas move o resultado sozinha. Juntas, o efeito é de outra ordem.
O que acontece quando as quatro rotinas existem juntas?
Com as quatro rotinas, 63,6% das escolas cresceram. Sem nenhuma delas, 26,7%.
Calendário mês a mês, meta acompanhada com frequência, follow-up com rotina clara e reunião semanal. Nenhuma delas custa dinheiro. Todas custam disciplina.
A progressão é limpa: cada rotina adicionada empurra o resultado para cima, sem exceção. E a distância entre os extremos é de quase quarenta pontos percentuais — maior do que a diferença entre qualquer canal, qualquer porte, qualquer faixa de mensalidade medida nesta pesquisa.
O problema é a adesão. Apenas 15,7% das escolas fazem as quatro. 41,0% não fazem nenhuma. A prática que mais explica crescimento é também a menos adotada — e é de graça.
Como é o atendimento quando uma família pede informação?
Um terço das escolas tem alguém responsável, mas sem rotina definida. É a resposta mais comum da pesquisa.
“Existe alguém responsável, mas sem rotina definida” é uma frase que descreve bem o estado da captação escolar no Brasil. A intenção existe. O processo, não.
E processo aqui não significa burocracia. Significa saber quem foi atendido, o que ficou pendente e quem volta a falar com aquela família amanhã.
Resumo do capítulo
- Captação acumulada é a regra, não a exceção. Na maioria das escolas, quem cuida de matrícula também cuida de outra coisa — e a outra coisa sempre é mais urgente.
- Uma pessoa sozinha no cargo não resolve. Sem processo e acompanhamento, o desempenho fica abaixo até de secretaria acumulando.
- As quatro rotinas são o achado central do relatório. Calendário, meta acompanhada, follow-up e reunião semanal. Quem faz as quatro cresce mais que o dobro de quem não faz nenhuma.
- É a prática mais barata e a menos adotada. Nenhuma das quatro exige verba — e a maioria das escolas não pratica nenhuma delas.
- Follow-up é o item mais subestimado. Não custa nada, não aparece em relatório, e separa quem cresce de quem estagna.
Funil e conversão
Onde a família se perde no caminho entre pedir informação e assinar a matrícula — e o que acontece com o resultado quando a escola demora para responder.
De cada 10 famílias interessadas, quantas chegam a matricular?
Cerca de 4 a 5 visitam. Dessas, outras 4 a 5 matriculam. Na prática, de cada 10 famílias interessadas, aproximadamente 2 viram aluno.
Duas matrículas a cada dez interessados é o retrato mediano do setor. Não é um número ruim em si — é um número que quase ninguém conhece na própria escola.
E é aqui que a conta do marketing começa a fazer sentido ou não. Se a escola precisa de 40 matrículas novas e converte 2 em cada 10, precisa gerar 200 famílias interessadas. Sem essa conta, a meta de captação é definida no chute e a verba de mídia é definida pelo que sobrou no caixa.
As escolas medem a própria conversão?
Cerca de 1 em cada 8 escolas não mede quantas famílias interessadas chegam a visitar. E a proporção se repete na etapa seguinte, da visita até a matrícula.
Não medir a conversão é o que permite que o diagnóstico errado sobreviva por anos. A escola que acha que tem “pouca procura” pode, na verdade, ter procura suficiente e conversão ruim — e vai gastar em mídia para resolver um problema que está no atendimento.
Os dois erros custam caro, mas custam de formas diferentes. Um desperdiça verba. O outro desperdiça família que já queria entrar.
E há um fator que interfere na conversão mais do que qualquer argumento de venda: o tempo.
Quanto tempo as escolas levam para responder uma família?
6 em cada 10 escolas respondem em até 30 minutos. O restante demora mais, ou não sabe dizer quanto demora.
Vale lembrar o que acontece do outro lado. A família que pede informação para uma escola raramente pede só para uma. Ela manda mensagem para três, quatro, cinco. Quem responde primeiro não está apenas sendo educado — está sendo o primeiro a existir na conversa.
Responder rápido muda o resultado do ciclo?
Responder em até 30 minutos: 48,2% cresceram. Demorar mais que isso: 30,8%.
Dezessete pontos percentuais de diferença, e a variável é responder mais rápido. Não é campanha nova, não é verba maior, não é reposicionamento de marca.
Repare também no terceiro grupo: quem não sabe dizer quanto tempo demora cresceu 28,6%. Não saber o próprio tempo de resposta é sintoma de que ninguém está olhando para a fila de atendimento — e o resultado acompanha.
Quantas visitas agendadas não acontecem?
A maioria das escolas relata no-show baixo. Mas cerca de 3 em cada 10 perdem 16% ou mais das visitas que agendaram.
A visita agendada é o ativo mais valioso do funil de captação. A família já demonstrou interesse, já reservou tempo e já colocou a escola na lista curta. Perder essa visita é perder no momento de maior probabilidade de fechamento.
E o no-show quase sempre tem solução operacional simples: confirmação na véspera, lembrete no dia, um segundo horário oferecido de imediato quando a família desmarca. É o tipo de rotina que ninguém implementa porque parece pequena demais para importar.
Resumo do capítulo
- De cada 10 famílias interessadas, cerca de 2 matriculam. Esse é o retrato mediano — e a conta que permite dimensionar meta e verba de mídia.
- Boa parte das escolas não mede a própria conversão. Sem isso, confunde-se falta de procura com falta de processo, e gasta-se em mídia para resolver problema de atendimento.
- Responder em até 30 minutos separa quem cresce. A diferença é de dezessete pontos, e não custa verba nenhuma.
- Não saber o próprio tempo de resposta é um mau sinal. Esse grupo tem o pior desempenho da amostra.
- O no-show é o desperdício mais evitável do funil. Confirmação na véspera resolve boa parte, e quase ninguém faz.
Canais e comunicação
De onde vêm as famílias interessadas, qual canal traz mais escolas que crescem e onde a conversa com as famílias efetivamente acontece.
De onde vêm as famílias interessadas?
A indicação é o principal canal para 46,7% das escolas. Tráfego pago e Instagram orgânico vêm em seguida.
A indicação continua sendo o motor da captação escolar, e isso diz algo importante sobre o setor: matricular um filho é uma decisão de altíssima confiança e baixa frequência. Nenhum anúncio compete com a mãe do amigo do seu filho dizendo que gosta da escola.
O problema é que quase toda escola trata indicação como sorte, não como canal. Não há meta de indicação, não há momento estruturado para pedir, não há acompanhamento de quem indicou. Um canal citado por quase metade das escolas e que não tem dono.
Qual canal traz mais escolas que crescem?
Tráfego pago aparece à frente: 55,0% das escolas que o têm como canal principal cresceram no último ciclo.
O contraste com a indicação é o dado a guardar. A indicação traz mais volume — é o principal canal de 46,7% das escolas —, mas quem depende dela cresceu 36,0%. Quem tem tráfego pago como canal principal cresceu 55,0%.
A explicação mais provável não é o canal em si, é o que ele obriga a escola a fazer. Quem investe em mídia precisa ter para onde mandar a família, precisa responder rápido o suficiente para justificar o custo do clique e precisa medir, nem que seja mal. A indicação não cobra nada disso — ela chega sozinha, e por isso convive bem com a desorganização.
Vale a ressalva: tráfego pago como canal principal ainda é minoria no setor. O que o dado sugere não é que a mídia resolva sozinha, mas que a escola que constrói demanda ativamente tende a construir também o processo para atendê-la.
Onde a conversa com as famílias acontece?
WhatsApp, para 75,5% das escolas. Nenhum outro canal chega perto.
O WhatsApp deixou de ser um canal entre outros e virou o canal. É onde a família pergunta o preço, marca a visita, manda o documento e avisa que desistiu.
O que significa que a operação de captação da escola brasileira acontece, na prática, dentro de um aplicativo de mensagens. Vale guardar essa frase para o capítulo de ferramentas — porque o modo como esse aplicativo está configurado explica muita coisa.
Resumo do capítulo
- Indicação é o principal canal do setor, mas é tratada como sorte, não como canal com dono e meta.
- Tráfego pago aparece à frente no resultado do ciclo — provavelmente porque investir em mídia obriga a escola a organizar o atendimento e a medir.
- O WhatsApp é onde a captação acontece. A operação comercial da escola brasileira mora dentro de um aplicativo de mensagens.
Marketing e investimento
Quanto o setor investe, com que frequência, quem executa — e quantas escolas sabem se esse investimento se paga.
Com que frequência as escolas investem em marketing?
44,3% investem todo mês. O restante investe só na alta temporada, raramente ou nunca.
E a frequência importa: 50,4% das escolas que investem todo mês cresceram, contra 23,5% das que investem raramente.
A lógica é conhecida de quem trabalha com aquisição: campanha ligada só na temporada compete no momento de maior custo e menor paciência do algoritmo, e desliga antes de aprender. É como acender a luz só quando já está escuro demais para achar a chave.
Quanto se investe por mês?
A maior parte investe até R$ 1.500 por mês. Verbas acima de R$ 8.000 são exceção no setor.
É um mercado de orçamentos pequenos. E orçamento pequeno tem uma implicação direta: não há margem para aprender errando por muito tempo. Cada real precisa ir para o canal certo, com a mensagem certa, para o público certo.
O que torna ainda mais grave o dado do próximo bloco.
As escolas sabem quanto custa captar um aluno?
44,2% não fazem ideia do custo por matrícula. Menos de 2 em cada 10 têm uma estimativa.
Este é o dado mais desconfortável do relatório. A maior parte do setor investe em marketing sem saber quanto custa trazer um aluno — e portanto sem saber se o investimento se paga.
E o custo disso aparece no resultado: 52,4% das escolas que têm estimativa de CAC cresceram, contra 28,2% das que não fazem ideia.
Não é que calcular CAC faça a escola crescer. É que a escola que calcula o CAC é a escola que olha para os próprios números — e quem olha, corrige. O CAC aqui funciona como termômetro de gestão, não como fórmula mágica.
Quem executa o marketing das escolas?
Na maioria dos casos, a própria escola. Agências aparecem em segundo lugar, e uma parcela relevante simplesmente não faz tráfego pago.
Chama atenção o arranjo em que a direção ou o mantenedor “faz por conta”. É a mesma pessoa que responde pela folha, pelo pedagógico e pela obra do prédio — e que, nas horas vagas, sobe campanha.
A leitura útil aqui não é interno contra agência. É que terceirizar a execução não terceiriza a responsabilidade pelo resultado. A escola que entrega o marketing e não acompanha o número continua sem saber se está funcionando — só que agora paga por isso. Quem contrata bem é quem sabe cobrar, e para cobrar é preciso ter o indicador do bloco anterior na mão.
Resumo do capítulo
- Investir todo mês supera investir na temporada. Campanha ligada só na alta compete no pior momento e desliga antes de aprender.
- É um mercado de orçamentos pequenos. A maior parte investe até R$ 1.500 por mês — o que reduz a margem para errar.
- A maior parte do setor não sabe quanto custa captar um aluno. Investe sem saber se o investimento se paga.
- Quem calcula o CAC cresce quase o dobro — 52,4% contra 28,2%. Não porque a fórmula resolva, mas porque quem mede é quem corrige.
- Terceirizar execução não terceiriza responsabilidade. Quem contrata bem é quem sabe cobrar o indicador.
Ferramentas e tecnologia
Como as escolas registram os contatos das famílias e por que a ferramenta, sozinha, explica menos do que se imagina.
Como as escolas organizam os contatos das famílias?
Cerca de 3 em cada 10 escolas não têm registro estruturado das famílias interessadas — o contato fica em papel ou nas conversas soltas.
Sem registro, o histórico da conversa mora no celular de quem atendeu — e vai embora com ela. A família que pediu informação em março e pediu para ser lembrada em setembro simplesmente deixa de existir para a escola.
É também o que impede qualquer diagnóstico. Não dá para saber quantas famílias estão aguardando resposta, quantas visitaram e não voltaram, ou quantas sumiram depois de receber o valor da mensalidade.
Registrar os contatos muda o resultado do ciclo?
Sim. Escolas que registram cresceram 42,5%. As que não registram nada, 28,6%.
Catorze pontos percentuais separam quem registra de quem deixa tudo na conversa. É uma das diferenças mais limpas do relatório, e não depende de verba, tamanho ou região.
Mas registrar é o piso, não o teto. O registro por si só organiza a informação — ele não faz ninguém voltar a falar com a família. É por isso que o próximo dado é o mais importante deste capítulo.
Se registrar é o mínimo, o que separa quem realmente extrai resultado disso?
O que separa quem usa o registro de quem só tem o registro?
Entre escolas que registram, ter rotina de follow-up muda tudo: 52,4% cresceram, contra 34,7% sem rotina.
Aqui está o achado central do capítulo. Entre escolas que já registram os contatos, o que separa quem cresce é ter uma rotina de voltar naquelas famílias.
A ferramenta não faz o trabalho. Ela torna o trabalho possível — e só entrega resultado quando existe um sistema em volta dela. Registro sem rotina é arquivo morto: informação guardada que ninguém consulta e sobre a qual ninguém age.
A implicação prática para quem está decidindo investir em tecnologia é direta. A pergunta não é qual ferramenta comprar. É quem vai abrir essa ferramenta toda segunda-feira de manhã, com qual lista na mão e cobrado por quem.
Como está configurado o WhatsApp das escolas?
Apenas 23,4% usam alguma ferramenta que organize o WhatsApp. A maioria opera no aplicativo comercial básico ou no celular pessoal.
Junte este dado ao do capítulo anterior: o WhatsApp é o canal onde a captação acontece, e a grande maioria das escolas o opera sem nenhuma camada de organização.
As consequências são concretas. Não há histórico consultável, não há como saber quantas famílias estão aguardando resposta, não há passagem de bastão quando a pessoa que atendia sai da escola. A operação comercial inteira depende da memória e da boa vontade de quem está com o celular na mão.
É o mesmo padrão do bloco anterior, aplicado ao canal mais usado do setor: a escola tem a conversa, mas não tem o sistema em volta dela.
Resumo do capítulo
- 3 em cada 10 escolas não têm registro estruturado das famílias interessadas. O histórico mora no celular de quem atendeu.
- Registrar muda o resultado — catorze pontos separam quem registra de quem deixa tudo nas conversas soltas.
- Mas registro sem rotina é arquivo morto. Entre quem registra, ter rotina de follow-up é o que separa quem cresce.
- A pergunta não é qual ferramenta comprar, é quem abre essa ferramenta toda segunda-feira e é cobrado por isso.
- O canal mais usado do setor é o menos organizado. A maioria opera o WhatsApp sem nenhuma camada de gestão.
Gargalos e posicionamento
O que os gestores apontam como obstáculo ao crescimento, como enxergam a concorrência e qual diferencial acreditam que ganha matrícula.
O que mais impede as escolas de crescer?
Concorrência é o gargalo mais citado, com 28,2%. Mas a soma dos gargalos internos é maior.
Separando as respostas entre causas externas — concorrência, pouca procura, preço de mercado — e causas internas — conversão, equipe, clareza da proposta —, o placar fica em 54,3% externas contra 45,7% internas.
Ou seja: o setor está praticamente dividido entre quem enxerga o problema fora e quem enxerga dentro. E vale notar que os gargalos de conversão, somados, rivalizam com a concorrência — muitas visitas sem matrícula, muita procura sem visita, falta de equipe para atender bem.
Escola que atribui o problema à concorrência tende a responder com preço. Escola que atribui à conversão tende a responder com processo. Os dados dos capítulos anteriores sugerem qual das duas respostas move mais o resultado.
Como as escolas enxergam a concorrência na própria região?
56,1% classificam a concorrência da sua região como alta. E, nesse grupo, o desempenho no ciclo é visivelmente pior.
Entre as escolas que percebem concorrência alta, 30,9% cresceram. Entre as que percebem concorrência média, 43,7%. A diferença é real e merece ser dita.
Mas ela pede cautela na leitura. O dado não prova que a concorrência causa o resultado pior. É igualmente plausível o caminho inverso: a escola que está perdendo alunos passa a enxergar mais concorrência ao redor, porque atribui a perda ao vizinho. Percepção e resultado se retroalimentam, e a pesquisa não consegue separar os dois.
O que dá para afirmar com segurança é a ordem de grandeza. A distância entre perceber concorrência alta e média é menor do que a distância entre ter e não ter as quatro rotinas de captação do Capítulo 2. O território pesa. O processo pesa mais — e é o único dos dois que a escola controla.
Espaço reservado para o cruzamento com o Censo Escolar. Aqui entra a densidade real de escolas privadas nos municípios da amostra, a partir dos microdados do INEP e do Radar das Escolas, para confrontar a percepção declarada de concorrência com o número efetivo de concorrentes na praça. Componente a ser preenchido na integração com a base do Radar.
Qual diferencial mais ganha matrícula hoje?
Resultado acadêmico e formação socioemocional lideram, à frente de tradição, estrutura e preço.
Chama atenção o que não lidera. Preço e custo-benefício aparecem bem abaixo, apesar de o financeiro ser o principal motivo de saída declarado no primeiro capítulo.
Isso não é contradição — é uma pista. As famílias saem por dinheiro, mas não entram por dinheiro. Quem tenta ganhar matrícula competindo por preço está usando um argumento que os próprios gestores não consideram decisivo na entrada, e que corrói a margem necessária para entregar aquilo que é decisivo.
O que as escolas realmente acompanham?
Matrículas é o que quase todo mundo mede. As etapas anteriores do funil, muito menos.
Medir só matrícula é medir o placar depois que o jogo acabou. É o indicador que menos permite corrigir rota, porque quando ele se move, o ciclo já passou.
Os indicadores que permitiriam agir a tempo — quantas famílias interessadas chegaram, quantas visitas foram agendadas, quantas aconteceram, quanto tempo levou a primeira resposta — são justamente os menos acompanhados. E aparece aqui, também, o grupo que declara não medir nada com frequência.
Resumo do capítulo
- Concorrência é o gargalo mais citado, mas os gargalos internos somados pesam quase tanto — e são os únicos sobre os quais a escola tem controle direto.
- Concorrência alta correlaciona com resultado pior, mas explica menos que o processo. E não dá para saber se ela causa a perda ou se a perda faz a escola enxergar mais concorrência.
- As famílias saem por preço, mas não entram por preço. Competir por desconto corrói a margem necessária para entregar o que de fato ganha matrícula.
- O setor mede o placar, não o jogo. Matrícula é o indicador mais acompanhado e o que menos permite corrigir rota.
Preço e reajuste 2027
Quanto as escolas pretendem reajustar no próximo ano e o que acontece quando essa decisão ignora o resultado do último ciclo.
Qual reajuste as escolas pretendem aplicar em 2027?
A mediana sobe de 8,0% para 9,5%. E 59,9% das escolas pretendem reajustar acima do que praticaram neste ano.
Quase metade das escolas mira 10% ou mais. É um movimento de recomposição de margem, e faz sentido num setor que viu custo de pessoal e estrutura subirem.
O risco não está no reajuste em si. Está em aplicá-lo sem que a família perceba a contrapartida — especialmente num ano em que a comparação com a concorrência dobrou como motivo de saída.
E é aí que o próximo dado acende o alerta.
Quem perdeu alunos pretende reajustar diferente?
Não. Escolas que cresceram, que ficaram estáveis e que perderam alunos planejam reajustes praticamente iguais.
Uma escola que perdeu alunos no último ciclo está planejando o mesmo reajuste de uma escola que cresceu. O resultado do ciclo simplesmente não entrou na conta do preço.
É compreensível: o reajuste costuma ser calculado a partir do custo, não do desempenho comercial. Mas a família não vê a planilha de custos da escola. Ela vê o boleto subir na mesma escola que ela já estava considerando trocar.
Reajustar acima da média depois de um ciclo de perda é antecipar a próxima saída. Não significa não reajustar — significa que, nesse caso, o reajuste precisa vir acompanhado de uma conversa sobre valor que a maioria das escolas não está preparada para ter.
Resumo do capítulo
- O setor vai reajustar mais em 2027 do que reajustou em 2026. Seis em cada dez escolas miram acima do praticado neste ano.
- O resultado do ciclo não entra na conta do preço. Quem perdeu alunos planeja o mesmo reajuste de quem cresceu.
- Reajuste sem contrapartida percebida antecipa a saída — especialmente num ano em que a comparação com a concorrência dobrou como motivo de evasão.
O mesmo dado, por diferentes cortes
O resultado do ciclo visto por região, porte, mensalidade e segmentos atendidos.
Por região
Por porte
Por mensalidade
Por segmentos atendidos
O recorte por segmentos é o que menos varia de toda a pesquisa. Escolas que atendem da Educação Infantil ao Ensino Médio, escolas só de Infantil e escolas multissegmento têm desempenho muito próximo.
É um achado por ausência, e vale registrá-lo: o que a escola oferece explica muito menos o resultado do que como ela opera. Nenhum dos cortes estruturais desta pesquisa — região, porte, mensalidade ou segmento — produz diferenças da magnitude que as rotinas de captação produzem.
O próximo ciclo
Nove decisões que este relatório sugere levar para a reunião de planejamento de matrículas.
- Calcule sua rematrícula antes de qualquer meta de captação. Se estiver abaixo de 90%, o problema do próximo ciclo não é captar — é reter.
- Defina a meta e marque a reunião semanal no mesmo dia. Meta sem ritual de acompanhamento performa como meta inexistente.
- Monte o calendário mês a mês, não o plano do ano. E marque agora quem revisita esse calendário em março.
- Escolha uma pessoa responsável pela captação — e dê processo a ela. Uma pessoa sem processo rende menos que secretaria acumulando.
- Meça quanto tempo você leva para responder uma família. Se não souber responder de cabeça, esse é o primeiro número a instrumentar.
- Crie a rotina de confirmar visita na véspera. É o ganho mais barato do funil inteiro.
- Transforme indicação em canal com dono e meta. É o maior canal do setor e o único sem gestão na maioria das escolas.
- Calcule seu custo por matrícula, mesmo que de forma inicial. Verba do período dividida por matrículas novas já é melhor que não fazer ideia. Veja como calcular o custo de captação por matrícula e comparar os canais.
- Antes de definir o reajuste, olhe o resultado do ciclo. Se você perdeu alunos, o reajuste precisa vir com uma conversa sobre valor.